Câncer de Pele

A pele sofre os efeitos da radiação do Sol, em especial da radiação ultravioleta B (UVB), que está presente em maior intensidade entre 10 e 15 horas, e da radiação ultravioleta A (UVA), que encontra-se presente enquanto houver luz do Sol. Os efeitos provocados pela radiação sobre a pele são o surgimento de rugas, manchas, vasos finos (conhecidos como telangiectasias) e câncer de pele.

 

O câncer de pele pode ser separado em dois grupos principais: o Câncer de Pele Não Melanoma (Carcinoma Basocelular e Carcinoma de Células Escamosas) e o Melanoma propriamente dito.

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CARCINOMA BASOCELULAR

O Carcinoma Basocelular (CBC) trata-se do tipo mais comum de câncer de pele: corresponde a 75% dos casos totais. Ele raramente provoca metástase (acometimento de outros tecidos e órgãos do corpo), o que gera grande alívio ao paciente.

 

Contudo, ele tende a crescer microscopicamente, invadindo a pele além da lesão visível, o que é denominado de crescimento subclínico. O risco do CBC está relacionado com a extensão deste crescimento subclínico, que ocorre de forma progressiva, invadindo a pele vizinha, podendo atingir áreas mais profundas. A velocidade de crescimento geralmente é lenta, porém existem casos em que ocorre de forma rápida.

 

Assim, quanto maior a extensão subclínica do tumor, maior será a cicatriz (dano estético) deixada após a realização da cirurgia para o tratamento. Por isto é importante o diagnóstico precoce, possibilitando maior taxa de cura e menor dano à pele.

 

Dependendo da localização, da extensão do tumor e da profundidade atingida, além do dano estético, poderá ocorrer um dano funcional. Isto ocorre, por exemplo, no caso em que o tumor atinge algum nervo motor importante, o que poderá gerar paralisia da área tratada. Em casos mais graves, o tumor pode invadir estruturas nobres, como olhos, cartilagens e até tecido ósseo e, nestes casos, exigir um tratamento mais agressivo. Raramente esta invasão pode ser tão profunda a ponto de causar problemas mais sérios ou mesmo o óbito.

 

TRATAMENTO

 

Para a maioria dos casos de CBC, o tratamento de predileção é a cirurgia, que possibilita grande possibilidade de cura. O ideal é que as lesões sejam tratadas em fase inicial.

 

Existem outras opções de tratamento para casos específicos, como imiquimode tópico, terapia fotodinâmica, curetagem e eletrocoagulação, crioterapia, radioterapia, entre outras. A decisão final do tratamento deve sempre ser embasada pela opinião do seu médico.

 

O tratamento cirúrgico consiste na exérese do carcinoma, ou seja, na sua retirada completa. Para que isto ocorra, deve ser realizada a remoção de todo o tumor (ou de toda a área onde se presume que existam células tumorais) e de uma quantidade de pele “normal" ao redor dele, denominada margem de segurança. O tamanho da margem de segurança pode variar dependendo do tipo de tumor ou de suas características. A cirurgia micrográfica é sem dúvida a opção cirúrgica com maior potencial de cura, além de poder permitir cicatrizes menores em relação à cirurgia convencional.

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CARCINOMA DE CÉLULAS ESCAMOSAS (OU CARCINOMA ESPINOCELULAR)

Trata-se do segundo tipo de câncer de pele mais frequente. É caracterizado por apresentar células com maior agressividade (comparando-se ao Carcinoma Basocelular) e que podem progredir por área mais extensa da pele, invadir planos mais profundos, provocar metástase (acometimento de outros tecidos e órgãos do corpo) e, até mesmo, causar o óbito.

 

Assim, além da preocupação estética e funcional, deve-se atentar para a possibilidade de metástase.

 

TRATAMENTO

 

A cirurgia é a técnica de escolha para o tratamento. Outras opções terapêuticas podem ser utilizadas para casos específicos. Trata-se de carcinoma curável, principalmente, quando o tratamento ocorre numa fase inicial (vide tratamento para Carcinoma Basocelular)

 
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MELANOMA

Trata-se do terceiro câncer de pele mais comum, cuja importância está ligada à precocidade da possibilidade de metástases (acometimento de outros tecidos e órgãos do corpo). Por isto, é muito importante que ele seja reconhecido e tratado o mais cedo possível.

 

O paciente deve estar atento a “pintas” novas ou que sofreram alterações, em especial, se estas alterações seguem a regra do ABCDE: A-“pintas” Assimétricas; B-“pintas” com Bordas irregulares; C-“pintas” com alterações de Cores (deve-se atentar para a cor preta, em especial); D-“pintas” com Dimensões aumentadas (ou que aumentaram em relação ao que eram anteriormente); E- “pintas” com Evolução ou mudança, principalmente recente ou abrupta. Outro sinal importante são as “pintas” que destoam das demais (aparência diferente).

 

O diagnóstico é realizado através da biópsia da lesão: retirada cirúrgica de toda a “pinta” ou mancha e envio do fragmento da pele para exame anátomo patológico.

 

TRATAMENTO

 

O tratamento do melanoma consiste na cirurgia, com o objetivo de “retirá-lo totalmente”, sempre que possível. Assim como nos outros tipos de câncer de pele, é importante que seja retirada a margem de segurança.

 

Felizmente, o arsenal de tratamento complementar vem aumentando constantemente, mesmo para os casos avançados. Existem novas técnicas de exame, de estadiamento e de tratamento, que devem ser analisadas para cada caso e indicadas conforme a avaliação de seu médico.

 

Um exemplo de exame é a pesquisa do linfonodo sentinela, destinada a verificar se o melanoma atingiu ou não o gânglio (linfonodo) mais próximo. Seu princípio baseia-se no fato de que, para ocorrer a metástase, o melanoma tem que passar primeiro por um linfonodo correspondente àquela região do tumor. Exemplificando, para o entendimento leigo: seria como se alguém tivesse uma única porta para sair de um prédio. “Não tem como ele ir para a rua” sem ter passado por ela.  Assim, através deste exame, pretende-se verificar se o linfonodo sentinela, ou seja, o primeiro linfonodo por onde a metástase “passa”, foi acometido pelas células do melanoma. Se ele não estiver afetado, é menos provável que uma metástase tenha ocorrido. Este exame permite a realização do estadiamento mais refinado, o que pode ter repercussões até nas opções de tratamento. Dentro do protocolo brasileiro estabelecido pelo Grupo Brasileiro de Melanoma (GBM), a pesquisa do linfonodo sentinela está indicada para casos específicos, com critérios bem estabelecidos, que podem ser explicados pelo seu médico.

 

Outro exemplo consiste na descoberta de marcadores do melanoma, que tem importância na chamada terapia alvo, em casos onde já ocorreu a metástase. É possível avaliar, de antemão, se determinadas drogas poderiam ou não atuar e, consequentemente, serem ou não empregadas para o tratamento.